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por Luciana Saddi

Perfil Luciana Saddi é psicanalista e escritora

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A psicose

Por Luciana Saddi
06/06/13 10:56

A psicose é um estado mental no qual se verifica perda de contato com a realidade. É formada por um conjunto enorme de quadros clínicos. Popularmente chamada de loucura, caracteriza-se por ser uma manifestação psicologicamente incompreensível, uma ruptura, que não pode ser vista como reação a um acontecimento – nada a explica.

A psicose implica em desorganização psíquica e incapacidade de reconhecer o próprio comportamento como sendo bizarro ou estranho. Falta crítica, pois enquanto vigora a crise psicótica vigora a crença inabalável em alucinações e delírios. Alucinações são distúrbios da percepção e delírios são distúrbios do pensamento. Se alguém vê coisas que ninguém mais é capaz de enxergar, se ouve vozes que os outros não escutam, se tem alterações olfativas e tacteis não compartilhadas está em curso algum tipo de alucinação. Se há histórias incompreensíveis, perseguições, sentimentos de poder extremo ou de ruína imediata é provável que o delírio esteja presente.

Outros sinais da psicose são: inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, insônia severa, alterações no apetite, dificuldades de interação social e em cumprir as atividades da vida diária. As alterações de humor variam da intensa euforia, acompanhada, por vezes, de agressividade e ideias de grandeza, até à depressão extrema com ideias de menos valia e suicídio.

Há dois polos que se manifestam em conjunto nas psicoses, a despersonalização e a desrealização. Ocorre uma fratura importante na personalidade, causando um conjunto de alterações da consciência do eu – o individuo não se reconhece mais e nem reconhece o mundo em que se encontra. Passada a crise psicótica ele se surpreenderá com os acontecimentos, mas dificilmente os assimilará à sua história ou personalidade. Uma sensação de estranhamento acompanha o psicótico, que raramente reconhece a própria psicose.

Em sua mais severa manifestação, a psicose implica na perda completa e irreversível do eu, chegando até à demência e ao apagamento completo da relação com o mundo exterior.

Podemos entender a loucura como aberração em relação aos padrões dominantes numa sociedade. A psicose é um caminho para identificar os padrões dominantes e as reações do grupo social às condutas estranhas.

Podemos também entender a psicose como uma bizarra reconstrução da personalidade. Imagine que somos uma casa, por algum motivo ocorre uma explosão que a deixa destroçada. Em seguida aparece um movimento de reconstrução, no entanto, se empregará apenas o material que restou da explosão, que se encontra deformado, estilhaçado e queimado. A casa será recolocada em pé suas paredes serão compostas por pedaços de tijolos, mas a esses aderiram-se pedras, metais e destroços de alimentos. A pia da cozinha será reconstituída por nacos de bonecas, louças e pés do fogão. A mesa de jantar será composta por um bizarro mosaico formado por tábuas provenientes da casa do cachorro, piso da entrada e lenha da lareira.

Um cenário de terror, onde a intensidade da fragmentação e a distância entre o objeto original e o resultado da reconstrução variam de pessoa para pessoa.

Sobre as principais características clínicas das psicoses, pode-se afirmar:

– São psicologicamente incompreensíveis (segundo Jaspers) – Apresentam vivências bizarras, como delírios, alucinações, alterações da consciência do eu.

Michel Foucault em seu texto, A história da Loucura, aponta que a loucura (posteriormente chamada de psicose) poderia ser entendida como uma aberração da conduta em relação aos padrões ou valores dominantes numa certa sociedade; neste sentido, entender a psicose é também buscar entender quais os padrões dominantes e quais as reações do grupo social à tais condutas estranhas e aos seus agentes.

 

 

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Comentários

  1. sergio de salvo oliveira comentou em 06/06/13 at 14:05

    Muito bom o texto e bastante esclarecedor. Sugiro uma abordagem sobre a Neurose que é a disfunção a qual me mais me identifico além da propria psicose. Um abraço.

  2. sergio de salvo oliveira comentou em 06/06/13 at 14:07

    Muito bom o texto e extremamente esclarecedor. Sugiro uma abordagem sobre a Neurose que é a disfunção a qual mais me identifico.. É também verdade que ja experimentei pequenos surtos psicóticos. Um abraço.

    • Luciana Saddi comentou em 06/06/13 at 16:49

      ja fiz a da neurose, deve ter sido há duas semanas!

  3. Edivaldo do Rego Barros filho comentou em 06/06/13 at 17:06

    Da neurose, seria interessante!

    • Luciana Saddi comentou em 06/06/13 at 17:59

      procure no blog, ta aí!

  4. Brigida comentou em 16/06/13 at 14:05

    Muito obrigada pela ótima aula sobre Psicose!
    Aprendi bastante!

  5. mara cristina comentou em 23/06/13 at 22:27

    Realmente foi ótima a explicação,mas ficou a desejar mais informações sobre o que varia de pessoa para pessoa.

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